Com um dos 20 projetos classificados no Rio Grande do Sul entre os 197 inscritos no Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde), a UCS Bento se prepara para colocar em prática sua proposta aprovada, intitulada “Fortalecendo a vigilância em saúde, o cuidado interprofissional”. A iniciativa dos Ministérios da Saúde e da Educação, voltada ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), elegeu neste ano o tema “Clima” para trabalhar a equidade em saúde no contexto das emergências climáticas e ambientais.
Na UCS Bento, o projeto terá a participação de 24 estudantes bolsistas, selecionados por meio de edital em julho. Restam apenas três vagas para completar a equipe, duas para estudantes da área da saúde e uma para acadêmico dos cursos de Arquitetura e Urbanismo, Ciências da Computação ou Engenharia Civil – a seleção esteve aberta também para as graduações de Ciências Biológicas, Biomedicina, Direito, Design, Enfermagem, Educação Física, Farmácia, Fisioterapia, Geografia, Nutrição e Psicologia.
Os participantes serão distribuídos nos três eixos de atuação do projeto – Vigilância no Território, Rede de Cuidado e EducaClima. Cada um deles terá a presença de oito acadêmicos, além de um coordenador de grupo, um professor tutor e dois preceptores. Também está prevista a participação de estudantes voluntários, que poderão assumir bolsas em caso de desligamentos. Segundo a coordenadora-geral do projeto PET-Saúde Clima, Cristine Boone Costanzi, a proposta significa uma oportunidade de formação diferenciada para os acadêmicos. “A aprovação da UCS no PET-Saúde Clima representa um importante movimento de fortalecimento da integração entre universidade, Sistema Único de Saúde e comunidade. Também amplia a formação prática e interprofissional dos estudantes e contribui para a qualificação dos serviços de saúde do município”, destaca.
As atividades serão desenvolvidas ao longo de 24 meses, com dedicação mínima de oito horas semanais, em ações no Campus Universitário da Região dos Vinhedos (Carvi), na Secretaria Municipal de Saúde de Bento Gonçalves e nos territórios contemplados pelo projeto, especialmente nos bairros Zatt e Progresso. Estão previstos trabalhos que contemplem, entre outras situações, ações de ensino, pesquisa e extensão, educação permanente em saúde, elaboração de materiais educativos e devolutivas à comunidade. No eixo Vigilância no Território, as iniciativas preveem o mapeamento de riscos sanitários e ambientais, o fortalecimento da vigilância em saúde e o acompanhamento de famílias em áreas mais vulneráveis. Já no pilar Rede de Cuidado, a ideia é qualificar a integração entre a Atenção Primária e a Atenção Especializada, fortalecendo o cuidado às populações vulneráveis. Por fim, o eixo EducaClima concentra esforços na educação permanente, promovendo ações de letramento em clima e saúde, capacitação de profissionais da rede pública e desenvolvimento de estratégias inovadoras de comunicação.
O PET-Saúde Clima é desenvolvido em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde e terá vigência até 2028. Para a coordenadora, a iniciativa também reforça o compromisso da universidade com os desafios atuais da saúde pública. “O programa insere a universidade em uma política estratégica do Ministério da Saúde voltada à equidade, à inovação e à adaptação do SUS frente às emergências climáticas”, comenta Cristine.
Em 2024, a UCS Bento foi contemplada pela primeira vez pelo programa, que na época havia escolhido a temática Equidade para ser trabalhada. O projeto, desenvolvido entre maio daquele ano e abril de 2026 em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, fortaleceu a integração entre universidade e rede pública de saúde, com foco na promoção da saúde mental dos trabalhadores da UPA 24h. Ao longo de dois anos, envolveu estudantes, docentes e profissionais em ações de formação, pesquisa e educação permanente, incluindo um estudo com 159 trabalhadores, oficinas, produção de materiais educativos e participação em eventos científicos. “Entre os principais legados do projeto destacam-se a construção coletiva e a implantação de um fluxo de encaminhamento para atenção à saúde mental dos trabalhadores, aprimorando a rede de cuidado do trabalhador, o fortalecimento da prática colaborativa entre universidade e serviços de saúde e a consolidação da educação interprofissional como estratégia para qualificar o cuidado e a formação em saúde”, diz a professora.